Arquivos pessoais: Quando as memórias dos poucos tornar-se a memória de todos!

Arquivos pessoais: quando as memórias dos poucos tornar-se a memória de todos!



Lucia Maria Velloso de Oliveira
Chefe da História Institucional e Serviços de Arquivística da Fundação Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro. Unica Arquivista brasileira a palestrar no evento em Dundee.

Resumo

O documento de arquivo é criado para representar uma determinada ação ou atividade, em vez de ser um registro para a posteridade. Isso acontece, basicamente, em dois níveis diferentes de redes: um é uma rede abstrata – ideias, sentimentos, preconceitos, papéis sociais, etc – e o outro é representado fisicamente pelos documentos e suas conexões. Ambos os níveis são importantes para uma compreensão exata do que chamamos de contexto de arquivo. Isso ocorre independentemente da natureza dos arquivos (pessoal ou organizacional), porém nos arquivos pessoais do primeiro nível é mais complexo e raramente claros. O significado dos arquivos depende da reconstrução e análise das redes. Para cumprir essa missão o arquivista precisa de desenvolver quadros de investigação complexa combinação de fundamentos e métodos da ciência arquivística com os métodos utilizados em outras ciências, como história, psicologia, diplomática, genealogia, etc.

O arquivista tem tarefas importantes de compreender o quadro geral dentro do qual o documento existe e de produzir uma descrição que fornece aos usuários os meios para produzir a própria compreensão dos arquivos, e com isso os arquivistas estão contribuindo para a construção da memória da sociedade. No caso dos arquivos pessoais, a situação é mais problemática porque eles são criados fora dos limites institucionais e suas regras, e também eles geralmente acabam em repositórios de arquivos através de um processo de aquisição que muitas vezes é aleatório e incerto. Os documentos de uma pessoa ou uma família mantém são a expressão da sua identidade como um país que mantém é a expressão de sua cultura. Há um significado por trás mantendo os documentos e também para destruí-los. O resultado disto será a memória da sociedade. Os arquivos pessoais são parte dessa herança: mesmo escondida na vida privada desses documentos têm o poder de apresentar uma versão não oficial do património cultural da sociedade. Descrição arquivística não é só anúncio – é sobre como identificar, compreender e fazer os arquivos acessíveis, a fim de permitir aos usuários explorar suas conexões complexas e significados.

Biografia

Desde 2007, Lucia Maria Velloso de Oliveira vem trabalhando em um doutorado em História Social da Universidade de São Paulo com foco sobre o estatuto científico de descrição arquivística, especialmente em arquivos pessoais. Ela se formou em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1986) e graduada em Arquivologia (1992) pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Ela tem um Mestrado em Ciência da Informação do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (2006). Ela já trabalhou como arquivista desde 1987 e tem experiência em organização de arquivos, gerenciamento de registros, bases de dados de informações de arquivo, descrição, usos e usuários de material de arquivo. Depois de trabalhar no Arquivo Nacional do Brasil de 1988 a 1994, Lúcia começou a trabalhar como arquivista na Casa de Rui Barbosa, uma fundação vinculada ao Ministério da Cultura (Brasil) e, desde 2002, ela tem sido o chefe do Arquivo Histórico e Institucional Serviços de lá. Lucia lecionou na Universidade Federal Fluminense (2007-2008) o ensino das seguintes disciplinas: reprodução de documentos; Arquivos Especiais; Arquivística Fundamentals II, Arquivos e Arquivo Permanente Serviços programas. Tem artigos e conferências publicados em revistas científicas e dos processos, e é o presidente em exercício da Sociedade Brasileira de Arquivistas. Ela é um dos poucos arquivistas brasileiros membros do ICA.

Palestra apresentada pela única arquivista brasileira convidada a palestrar no evento:

Memória, Identidade e Paradigma arquivística: uma abordagem interdisciplinar

Quarta-feira 8 – Sexta-feira 10 dezembro 2010, o Hotel Apex, Dundee, Escócia

Para aprofundar no assunto leia o projeto abaixo de autoria de Lucia Oliveira:
ANÁLISE TIPOLÓGICA DOS DOCUMENTOS EM ARQUIVOS PESSOAIS: UMA REPRESENTAÇÃO DO CÓDIGO SOCIAL


Sobre Jackson Guterres

Sou um Cientista Cristão brasileiro atuando como Praticista da Ciência Cristã na cidade de Salvador, capital da Bahia, no Brasil.
Esse post foi publicado em Arquivos Pessoais representação do Código Social, Mudança de Paradigma na Arquivologia e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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